Presidente e fundador da Burti

Luiz Carlos Burti

      Quando o curso chegava a seu final, os alunos estavam imersos nos preparativos para a formatura. Fiquei encarregado de cuidar da impressão dos diplomas. Eu precisava de 100 diplomas, e a turma queria que a impressão fosse feita nas cores amarela e marrom. Ao procurar gráficas para fazer o serviço, encontrei dificuldades, pois algumas somente imprimiam em preto-e-branco. Quando encontrei uma que fizesse o serviço da forma desejada, descobri que o custo seria ainda menor que o das gráficas vistas antes e que imprimiam somente em preto-e-branco. Nesse momento, percebi que faltava especialização nas empresas que havia visitado. Essa constatação mudaria meu destino para sempre.

      Fiz a impressão dos diplomas na JIG (Jordão Indústria Gráfica). O senhor Jordão me explicou muito superficialmente a diferença entre impressões coloridas e P&B, pois era uma pessoa muito didática. A partir daí, decidi que queria trabalhar nesse segmento. Cheguei a conversar com três amigos do curso para que trabalhássemos juntos fazendo impressos voltados à medicina, pois um deles conhecia médicos da Samcil. Mas eles tinham interesses diferentes e a ideia não seguiu adiante.

       Então, comecei a trabalhar vendendo impressos sozinho, ou seja, atendia clientes e fazia orçamentos de serviços de impressão, mas não tinha gráfica. Eu pegava os serviços como um intermediário e repassava à gráfica do senhor Jordão. Depois, entregava os impressos aos clientes. Eu fazia isso e não entendia praticamente nada de gráfica. O pouco que sabia era o que o senhor Jordão me explicava didaticamente cada vez em que conversávamos.

        De fato, eu era um picareta gráfico. Logo, criei um forte vínculo de amizade com o senhor Jordão, com o qual aprendia um pouco a cada dia. No entanto, a JIG estava ultrapassada, pois trabalhava com tipografia quando já existia a impressão em offset. Havia uma limitação de produção e administrativa. Não bastasse isso, as minhas vendas cresciam num ritmo surpreendente. Eu era remunerado com comissão por venda de impressos. Em três meses, meus ganhos passaram, por exemplo, de 40 cruzeiros para 4 mil cruzeiros. Além disso, estava planejando meu casamento e precisava seguir aumentando minha renda para constituir minha família.

       Então, comecei também a comprar papel, pois era um insumo que proporcionava oportunidade de relacionamento com pessoas importantes. Além disso, o papel era um ativo com valor sujeito a crises de mercado. Nesse momento, resolvi abrir uma empresa de revenda de impressos, a L. C. Burti. Passava os dias indo de cliente em cliente acompanhado apenas da minha maletinha. Os cálculos dos orçamentos eram feitos na frente do cliente. Fazia muito pela cara do cliente. Se estivesse muito alegre, cobrava mais e, se estivesse triste, ou com a cara fechada, baixava um pouco o preço.

        Nesse período, apostava no relacionamento e o meu volume de clientes continuava a crescer. Em pouco tempo, revendia impressos para empresas como Banco Nacional, Ultrafértil e Brinquedos Estrela. Então comecei a passar serviços também para a LPM, uma gráfica com equipamentos mais avançados. Em 1971, tive meu primeiro contato com agências de publicidade, quando atendi a JMM Publicidade.

           Mesmo com essa rápida evolução, ainda não tinha a menor intenção de abrir minha própria gráfica. No entanto, em 1972, um problema de relacionamento com a LPM fez com que eu mudasse de ideia. Por telefone, comprei duas Aurelia. As máquinas eram importadas e demoravam um tempo para chegar ao Brasil. Nesse meio tempo, retomei o contato com a LPM. Quando as máquinas foram entregues, eu as deixei lá. Mas o destino reservava outro caminho para mim. O proprietário da LPM teve uma nefrose que o matou em um ano.

           Não tinha mais jeito. Vi-me na obrigação de montar minha gráfica para continuar atendendo meus clientes. Nessa época, também já revendia impressos para a Nestlé. Em 1973, aluguei um salão na rua Lavapés e coloquei as duas Aurelia lá. Ao mesmo tempo, comecei a adaptar um salão que tinha na casa do meu pai, na Mooca, para que se tornasse minha empresa. Era o início da Editora Gráficos Burti. A maior dificuldade logo no início foi ter que adaptar minha estrutura, que era mínima, à demanda de clientes de grande porte. A adaptação do salão levou seis meses para ser concluída.

          Lembra-se do senhor Jordão? Os problemas administrativos de sua litografia acabaram levando-a ao fechamento. No entanto, ele foi um dos meus primeiros contratados. Assim começou a história de uma gráfica que continuou evoluindo para revolucionar várias vezes seu setor de atuação.

Luiz Carlos Burti

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